A minha memória mais clara quando penso no modo que os argentinos se vestem remete à minha adolescência em Salvador, numa época que o peso era mais valorizado que a moeda nacional e eles andavam aos montes no bairro onde vivia. E, para os homens, era basicamente sempre a mesma combinação: bermuda, uma camisa básica com cara de velha e sandálias havaianas.Para minha surpresa, essa não era a indumentária de praia dos argentinos. No verão de Buenos Aires, eles mantém a combinação, que, de certa forma, combina com o clima cosmopolita europeu da cidade. Talvez, daí, a gente possa tirar a primeira conclusão sobre o modo de vestir dos argentinos: casual e, ainda assim, vanguarda.
Procurar moda para homens nas ruas é sempre um pouco mais complicado que para mulheres. Às vezes tenho a sensação que o tempo que demora das tendências atingirem a rua, ou melhor, serem encontradas nas lojas é tão longo que as tendências enfraquecem mesmo antes de virar hit. Na Argentina, é um pouco diferente. A sensação é que os portenhos, pelo menos, são intensos consumidores da moda de vanguarda, de tendências, sem receios de ousar - o que, como sempre, os aproxima mais dos europeus.
Então, para começar um roteiro interessante pelas lojas legais de Buenos Aires, vale a pena conferir os brechós da Galeria Quinta Avenida (Av. Santa Fé, 1270) e, bem pertinho, a Galeria Bond Street (Av. Santa Fé, 1670), que é algo entre uma Ouro Fino e Galeria do Rock de lá.
Um dos orgulhos da cidade é o design, e no bairro de Palermo se concentram novos estilistas. Por lá, vale a pena ir na A.Y.Not Dead (Soler 4193, http://www.aynotdead.com.ar), que tem desde blasers bem cortados a t-shirts descolex. Também em Palermo, e a loja que más me gusto, chama-se The Beautiful Ones (http://www.thebeautifulones.com.ar/, Costa Rica 4737): trabalhando com pouquíssimas cores (a coleção que eu vi era basicamente monocromática), as roupas têm aquele clima nostalgico e, ainda assim, extremamente urbano e contemporâneo, algo como um indie-rocker sofisticado. Além dessas duas, que destaquei, vale a pena dar uma andada pelo bairro para descobrir. A calle Honduras é a Oscar Freire portenha.


Outra boa surpresa foi a C&A argentina. O que eu encontrei lá se aproximava, e muito, ao que se vende na rede H&M. De fato, a C&A da Argentina vende moda jovem e conectada com o que de fato está acontecendo. Apesar de pecar na parte de acessórios masculinos, as t-shits são interessantes e têm calças jeans bem cortadas a preços acessíveis. Também, na época de liquidação, ou rebajas, como dizem lá, dá pra encontrar coisas a preços incríveis. Aliás, os preços são outro atrativo de lá. Apesar de não ser muito mais barato, a diferença no câmbio entre o real e o peso dá uma ajudada para nosso bolso. E, aliás, em tempo de uma (dita) crise, apertar os cintos é indispensável.

